domingo, 27 de setembro de 2009

Divulgação: :: As boas iniciativas ::

Reprodução de post do Blog do Garcia: http://bloguedogarcia.blogspot.com/

Sexta-feira, 14 de Agosto de 2009

:: As boas iniciativas ::

Em Santa Maria, famosa por tantas coisas,Cidade Universitária, fundações universitárias gerando falcatruas, dois times corajosos no futebol e da Justiça Federal que vai julgar a Governadora, tem também iniciativas bonitas.Como esta do Maiquel e vejam como ele explica :O projeto chama-se “Acervo de Futebol”, onde preservar a memória e a cultura produzida por este esporte, reunindo livros e revistas de diversas áreas do conhecimento como Marketing, Administração, Economia, História, Direito, Educação Fisíca, entre outras relacionadas ao futebol.Possuo atualmente cerca de 190 exemplares de revistas e 23 livros.Pretendo, em um futuro próximo, colocar estes materiais a disposição de pessoas interessadas nesta área, familiares de ex-atletas e público em geral, em um ambiente que possibilite estudar, pesquisar e recordar momentos ou fatos relacionados ao futebol brasileiro e mundial, em uma espécie de Biblioteca do Futebol. Em face do exposto acima, solicito sua colaboração, se possível, através de doação de livros ou revistas, e também por meio de divulgação do Projeto. Desde já, coloco-me a disposição para os encargos de correioPara maiores esclarecimentos: mmsacidade@yahoo.com.br ou maiquelmms@hotmail.com Convido-lhe a acessar o Blog do Projeto: http://acervodefutebol.blogspot.com/Grato pela atenção, cordialmenteMaiquel Machado, Santa Maria-RS.Não é uma iniciativa bonita num futebol sem memória?
Postado por João Garcia às 16:28
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Agradeço ao Comentarista João Garcia pelo apoio e Incentivo.
Maiquel Machado

terça-feira, 7 de julho de 2009

Divulgação: http://blog.clickgratis.com.br/luciosaretta/81271/Acervo+de+Futebol.html

Reprodução de post do Blog do Lúcio Saretta

Olá, amigos.
Gostaria de divulgar uma nova e importante iniciativa que certamente vai agradar a todos interessados na história do nosso futebol.
Trata-se do ACERVO DE FUTEBOL, uma nobre ideia do Maiquel Machado da Silva, abnegado empreendedor que não para de adicionar livros sobre o popular esporte nas prateleiras do seu projeto.
Não deixem de conferir.
O endereço é www.acervodefutebol.blogspot.com
Até mais!

Acessem o Blog do Lúcio Saretta : http://blog.clickgratis.com.br/luciosaretta/81271/Acervo+de+Futebol.html

sábado, 4 de julho de 2009

Agradecimento Especial- Athos Miralha da Cunha

Foi com grande satisfação e alegria que recebi o Livro “O gol iluminado – Histórias de amor pelo Internacional”, doado pelo autor e organizador da obra, Athos Miralha da Cunha, que reuniu neste projeto literário outros quatro autores que já são conhecidos da literatura santa-mariense: Humberto Gabbi Zanatta, Odemir Tex Júnior, Pedro Brum Santos e Tânia Lopes. juntamente a eles, os jornalistas José Mauro Batista e Maiquel Rosauro também contribuíram neste projeto.
Este livro expõe, através de crônicas, a devoção e a paixão destes escritores ao Sport Clube Internacional, que neste ano completou 100 anos de fundação. O titulo da obra faz referência ao famoso gol marcado pelo zagueiro Figueroa, na Final do Brasileirão de 75 contra o Cruzeiro, que recebeu esta denominação porque Figueroa ao cabeçear a bola, encontrava-se em uma parte do campo onde havia um raio de sol naquele instante. http://www.youtube.com/watch?v=pn5AQvgZZWk, este video mostra o lance do gol Iluminado de Figueroa.
“O gol iluminado – Histórias de amor pelo Internacional”, foi lançado recentemente na Feira do Livro de Santa Maria, interessados em comprar o livro poderão encontra-lo na Cooperativa dos Estudantes de Santa Maria Ltda. - CESMA, Rua Professor Braga, 55 - fone/fax: 55 3221 9165, Santa Maria/RS - CEP.: 97015-530 ou através do site : www.cesma.com.br .
Desejo aos escritores sucesso e que esta obra seja a primeira de muitas outras para enriquecer a literatura brasileira e futebolística.

domingo, 28 de junho de 2009

Os Artistas do Futebol Brasileiro (50 minibiografias) - Autor: Antonio Falcão - Parte 5

Página 17

Barbosa, um injustiçado
(1921-2000)

Barbosa, não / mais negro que “O Mulato” de Aloísio de Azevedo /
viveu, de todos, o silêncio mais azedo / num só instante / onze fraturas graves /
esse Cruz e Souza / muito mais cruz que outras coisas /
comeu as próprias traves / mas seguiu adiante / esse gigante.

“Quando eles fizeram 2 x 1..., aquele silêncio pesou..., o Ghiggia avançou, eu vislumbrei o centro da área e ali havia três carrascos babando, à espera da bola..., o Bigode vem atrás do Ghiggia, Juvenal tenta fazer a cobertura, indo ao encontro de Ghiggia, mas na entrada da área só tem eles, ninguém da defesa, se ele centra não tem como pegar, é gol na certa, fico esperando Ghiggia centrar, dou um passo à frente, porque ele com certeza vai fazer a mesma jogada do primeiro gol, ele sente que eu estou fora, embora viesse de cabeça baixa como touro miúra, mete o peito do pé na bola e ainda toco nela, crente e que foi para escanteio, afinal foi um chute mascado, bateu no gramado, subiu e desceu, nesse átimo de segundo eu dou um passo lateral e salto para a esquerda com todo o impulso que... quando senti o estádio em silêncio total tomei coragem, olhei para trás e vi a bola de couro marrom lá dentro...”
A narrativa é de Barbosa, da seleção brasileira de 1950, que perdeu para o Uruguai a Copa do Mundo, no Rio. Não obstante, ele foi eleito o melhor arqueiro da competição. É o lance de gol mais dramático do futebol. E por ele Barbosa foi vítima. Só pelo gol, um homem sofreu o resto da vida; por um só gol, o racismo disfarçado do Brasil veio à tona – o mesmo preconceito que discriminara o goleiro negro em uma barbearia de Porto Alegre. Tudo está no livro Barbosa: um gol completa cinqüenta anos, de Roberto Muylaert.
Moacir Barbosa Nascimento era de Campinas, interior paulista, nascido em 27 de março de 1921. Lá, fez o curso primário numa escola onde ainda aprendeu marcenaria. Mas futebol mesmo – com juiz, uniforme e campo demarcado – só conheceu na capital, jogando de ponta-direita no Almirante Tamandaré, equipe do bairro paulistano da Liberdade. Isso até que, para quebrar o galho – como se diz na gíria –, Barbosa trocaria o ataque pelo gol, quando o Tamandaré enfrentava outro timinho varzeano, na Vila Maria.
E na meta, com 1,76 m de altura, adaptou-se (“não tenho que correr”, dizia) e progrediu. Em 1940, ele foi lavar vidro no Laboratório Paulista de Biologia e fechar o arco do time da firma. Nesse ano, uniu-se maritalmente a Clotilde. E, pensando no emprego, estudou química farmacêutica. Só que o Ipiranga paulistano o viu jogar pela empresa e o contratou, fazendo-o ídolo em um time que ia dele, no gol, a Rodrigues (no futuro, também da seleção brasileira) na ponta-esquerda. Em 43, com o Ipiranga cotado no certame, Moacir Barbosa já era dos melhores goleiros paulistas. Foi quando o então corintiano Domingos da Guia viu que ele sabia sair do gol com calma, elegância, elasticidade e rapidez de gato. Aí o famoso zagueiro o indicou ao Vasco carioca, que compraria o seu passe em 1944.
No primeiro ano vascaíno, Barbosa fez só duas partidas, e disputando a vaga com mais seis goleiros. Porém, em 45 foi o titular e campeão invicto. Ganhou ainda os títulos cariocas de 1947, 49, 50 e 52. Bem como, na volta ao Vasco, os de 56 e 58 – neste ano, ainda o torneio Rio-São Paulo. E foi várias vezes vitorioso na seleção estadual do Rio de Janeiro.
Em 1945, convocaram-no para o escrete brasileiro e ele estreou contra a Argentina, em São Paulo, onde o arqueiro Oberdan era rei. Daí para frente, até 53, Barbosa esteve na meta do Brasil 35 vezes. E ganhou para o País o sul-americano de 1949, e as Copas Roca e Rio Branco. Sem falar das inúmeras taças internacionais conquistadas pelo Vasco, que à época era chamado de Expresso da Vitória.
Dessas idas ao exterior, o risonho e educado Moacir contava um lance curioso. No México, com um toque, o ponta adversário o encobriu na área vascaína e ele, vendo a esfera ir em direção à rede, deu uma linda bicicleta, “na hora que a bola tinha dado o último pulo antes de cruzar a linha, e mandei para escanteio”.
Contudo, no plano das dores físicas, o inesquecível e injustiçado guarda-meta, que tratava a todos com polidez e jamais foi expulso de campo – ganhou, por sinal, o troféu Belfort Duarte, sinônimo de disciplina no futebol –, em 53 teve a perna quebrada por um maldoso e reles atleta do Botafogo. Por isso – segundo Barbosa –, não foi ao Mundial na Suíça, onde o Brasil não se saiu bem e a Alemanha bateu a favorita Hungria, saindo campeã. O tempo que o goleiro ficou com o gesso na perna fez São Januário o esquecer. E, recuperado no final de 1954, torná-lo um mero reserva.
Em 55, o goleiro foi para o Recife. E lá viu, no ocaso, velhos astros do futebol carioca: no seu Santa Cruz, Marinho, ex-Fluminense; no alviverde América, Dimas, ex-Vasco; no Sport, o antigo half vascaíno Eli do Amparo e o ex-botafoguense Osvaldo Baliza. Porém, em julho de 1956, inadaptado ao Nordeste, Barbosa se reintegraria ao Vasco da Gama, o clube das suas mais duradouras e irremediáveis paixões.
Ainda foi campeão nesse ano e no super-supercampeonato de 58. Todavia, a época do craque em São Januário findou em 1962. Aos 41 anos, ele desvestiu a camisa cruzmaltina para ter uma passagem pelo Bonsucesso. E se despedir da bola no modesto Campo Grande, em 8 de julho, contra o Madureira. Nesse jogo, esticando-se para deter um chute, Barbosa se contundiu. E na maca, aplaudido por 670 pessoas, contorceu-se de dor na virilha – lesão igual à que, um mês antes, tirara Pelé da Copa do Mundo no Chile. Nisso, no acanhado campo de subúrbio fez-se um silêncio que – por outro motivo – era tão triste quanto o do fatídico 16 de julho de 50, no Maracanã. Era o silêncio do povo reverenciando um destemido homem vice-campeão mundial de futebol. Para a História, isso deve ter sido pouco. No entanto, para o velho goleiro era tudo.
No anonimato, e desocupado, em 1963, Barbosa soube que a administração do Maracanã iria substituir as balizas do estádio. E que aquela onde o uruguaio Ghiggia fizera o gol da sua sina lhe seria doada. Ele aceitou e, de posse desse símbolo da própria mágoa, em um churrasco e cercado de amigos, o ex-goleiro ardeu no fogo os pedaços de pau da trave como lenha de assar carne. Depois, ainda teve de explicar se o tento de Ghiggia fora frango ou não – pode? Em 1996, na morte de sua mulher Clotilde – e arruinado com os gastos para salvá-la –, Moacir Barbosa saiu do Rio, a ex-capital do país injusto que o fizera vilão. E se mudou para a Cidade Ocian, no litoral paulista, onde alugara um apartamento de quarto e sala para findar os seus dias.
Em 7 de abril de 2000, no ataúde modesto, as suas mãos postas – que em vida ignoraram o uso das luvas – exibiam onze fraturas. E entre os poucos presentes ao velório, ninguém sabia que aquele inerte corpo de negro fora vítima de um gol fatídico. E que serviu ao primeiro guarda-redes brasileiro a bater tiro de meta. E talvez ao último a usar joelheiras.
Segue em postagens posteriores...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Os Artistas do Futebol Brasileiro (50 minibiografias) - Autor: Antonio Falcão - Parte 4

Página 14

Aírton Pavilhão, a técnica
(1934-)


Aos 13 anos, Aírton Ferreira da Silva era infantil no Força e Luz (clube gaúcho já extinto) e, embora esguio, muito clássico e lento, para imitar Tesourinha, o seu ídolo, atuava de ponta-direita. Até tentaram dissuadi-lo dessa posição, mas ele – nascido em Porto Alegre no dia 31 de outubro de 1934, filho de um pobre sapateiro com 10 filhos – insistia. Só depois o tempo o fez center-half. E em 54, como apoiador, exibindo categoria no profissional do Força e Luz, os 1,87 m e a bola imensa de Aírton encheriam os olhos do Grêmio, que o adquiriu em julho. A aquisição, porém, fugiu do usual das transações, pois se iniciou à entrada de um cinema, onde Aírton estava com a namorada, com dois emissários da direção gremista lhe propondo contrato. Além de bom salário, ele recebeu um automóvel, o que o fez o primeiro jogador gaúcho a ser motorizado. Ao Força e Luz, afora uma soma em dinheiro, o Grêmio pagou por seu passe as tábuas que sobraram de um pavilhão do seu antigo estádio, com mastro de içar bandeira e tudo. Essa particularidade daria a Aírton o apelido de “Pavilhão”. (Antes, ele fora chamado de “Queixada”, por ter o mento proeminente, igual ao de Ademir Menezes – à época, o deus vascaíno em voga).
Pavilhão uniu-se ao seu prenome e Foguinho, o inesquecível Oswaldo Rolla, ex-craque e treinador, recuou-o para a zaga central, onde compôs com Ênio Rodrigues uma histórica dupla de área. Outro grande nome que Pavilhão encontrou no Grêmio foi o seu ídolo Tesourinha, já em final de carreira. A partir de 1955, Aírton seria o melhor zagueiro gaúcho de todos os tempos e dos maiores estilistas do Brasil. Ano seguinte, em um grupo que contava, além do capitão Ênio Rodrigues, com gente da envergadura de Calvet, Gessy, Milton Kuelle e Vieira, Aírton ganhou o título estadual. Ainda nesse 56, foi reserva do escrete brasileiro formado por atletas do Rio Grande do Sul, a equipe que venceu o campeonato pan-americano de seleções nacionais, realizado na capital mexicana.
Todavia, a glória da carreira de boleiro de Aírton Ferreira da Silva só começava. Nos anos subseqüentes, ele ganhou o certame gaúcho, sendo pentacampeão estadual de 1956-60. À época – de perfil imponente e de dribles geniais, exageradamente técnico, perfeito no cabeceio, marcador leal, mas rígido, e, compensando a lentidão, bem-colocado –, esse artista empolgava a torcida com passes de trivela. Assim: punha o pé direito atrás do esquerdo e, de pernas cruzadas, batia de direita na bola, cedendo-a ao companheiro mais próximo. Às vezes, Pavilhão executava essa jogada até cinco vezes em uma partida.
Em março de 60, Aírton realizou os 6 jogos do escrete brasileiro – de novo representado por atletas gaúchos – que disputou o pan-americano na Costa Rica sob o comando de Foguinho, o mesmo técnico que lhe fizera zagueiro. A seguir, ele foi cedido por empréstimo ao fantástico Santos Futebol Clube, de Pelé. Só que na Vila Belmiro não ficou, até porque Mauro Ramos também chegara por lá. De volta a Porto Alegre no início de 61, Aírton foi sondado pelo Internacional, o implacável arquiinimigo do Grêmio. Mas preferiu voltar ao tricolor. E em 62, antes de ser campeão estadual, esteve entre os 40 convocados para os treinos da seleção brasileira que ia à Copa do Mundo no Chile. Porém, em um dos coletivos, o habilidoso zagueiro gremista fez um passe de trivela. E esse lance – na opinião de alguns – foi interpretado pelo técnico Aimoré Moreira como irresponsabilidade, razão que excluiu Aírton daquele grupo que ganhou o Mundial. Como isso jamais foi esclarecido, talvez o motivo do corte dele tenha sido a forte concorrência de Mauro e Bellini, que há muito se revezavam no miolo da zaga brasileira.
Todavia, sem qualquer sombra de dúvida, de 62 a 67 – período do hexacampeonato gaúcho do Grêmio –, o exímio zagueiro se afirmaria como referência tricolor, condição ainda hoje mantida. Tanto que, em 2000, uma pesquisa da Federação Gaúcha de Futebol junto à torcida gremista deu que ele fora visto como o maior nome do clube porto-alegrense. E à frente de Renato Portaluppi, De León, Everaldo, Vieira, Ortunho e, até, o lendário goleiro Lara (1897-1935) ou o dentuço Ronaldinho Gaúcho, este de recente safra tricolor. Contudo, curiosamente, Aírton Pavilhão não foi só craque, mas o atleta com maior ojeriza a avião que já se viu nesse mais de um século de futebol. Por isso, nos jogos próximos a Porto Alegre (interior gaúcho, Santa Catarina ou Paraná), enquanto a delegação do Grêmio voava, ele ia de ônibus ou de carro para encontrá-la. Seu pânico aéreo era tamanho que, às vésperas da vitoriosa excursão à Europa, sem constrangimento Aírton alegou problemas médicos para ser dispensado. Como a mentira não teve conseqüência, ele foi com a equipe ao Velho Mundo.
No fim de 1967, Pavilhão se deu conta que fizera 33 anos de idade e quis parar. Afinal, em doze temporadas pelo Grêmio, vencera 11 certames estaduais, recorde que nenhum outro jogador alcançara. E tais títulos – um penta e um hexa –, até então, eram os mais significativos desse clube do Rio Grande. Contudo, enquanto ele planejava encerrar a carreira, o porto-alegrense Esporte Clube Cruzeiro propôs um bom contrato e Aírton vestiu a camisa cruzeirense no certame de 68. O marco dele no Cruzeiro, porém, fora assinalar um gol chutando de pé esquerdo e contra o Inter. A seguir, o estilista zagueiro se transferiu para um pequeno time de Cruz Alta, cidade no interior do Rio Grande do Sul – terra natal de Érico Veríssimo, um autor de peso da moderna literatura brasileira. E, lá, Pavilhão jogaria até 1971, data em que saiu das canchas e entrou na história nacional como um iluminado nome do futebol-arte.
Hoje, envelhecendo ao lado do gremista estádio Olímpico, onde reside, esse ex-craque sabe que depois dele poucos defensores de área ousaram valer-se de apurada técnica e impor estilo diante dos hábeis atacantes brasileiros. Nesse sentido, aliás, Pavilhão, que se defrontara tantas vezes com Pelé, sabe deste depoimento de Larry Pinto de Faria, o centroavante colorado de 1955 a 60: “Ele foi o melhor zagueiro que enfrentei. Além de tecnicamente ser dos mais perfeitos que vi jogar, era também bom caráter. Devo ter sofrido uma falta ou outra nos vários Gre-Nais (confrontos de Grêmio e Internacional) que disputamos”. Por saber de si, disso e de futebol, o pacato cidadão Aírton Ferreira da Silva decerto tem certeza que talvez Luís Pereira e Luizinho (do Atlético Mineiro) foram dos poucos a seguir a trilha clássica edificada por Domingos da Guia, Mauro e ele próprio, Pavilhão, nos terrenos de jogo dessa vida de bola rolando. Por também reconhecer isso, em agosto de 2004, a direção do Grêmio o homenageou com uma placa comemorativa dos 50 anos da entrada dele no clube. E ainda antecipando-se em dois meses à festa dos 70 anos de idade desse ídolo maior. Logo a seguir, saiu pela editora Corag, de Porto Alegre, Aírton Pavilhão, o Zagueiro das Multidões, obra escrita pelo gaúcho Celso Sant'anna.

Segue em postagens posteriores...

sábado, 20 de junho de 2009

Agradecimento Especial- Lúcio Saretta


Expresso minha gratidão ao Escritor Lúcio Saretta, que no dia 5 de junho realizou uma doação ao Projeto Acervo de Futebol, contribuindo com esta iniciativa e acreditando no sucesso deste projeto. Seu primeiro livro ALICATE CONTRA DIAMANTE E OUTRAS HISTÓRIAS DO ESPORTE, passa a integrar o Acervo de Futebol, uma obra literária muito criativa e interessante, que chama atenção pela maneira informal de sua escrita e ao mesmo tempo recheada de fatos e momentos que marcaram o esporte em âmbito internacional.

Desejo ao Autor uma excelente trajetória nesta sua empreitada no mundo das letras.
Alicate Contra Diamante
Este Livro traz as primeiras crônicas escritas por Lúcio Saretta, tendo como tema principal o esporte e seus personagens marcantes.Craques do futebol de ontem são retratados de maneira envolvente, levando o leitor a uma viagem pelo tempo. O grande Torino da década de 40, Dadá Maravilha, Leônidas da Silva e histórias reveladoras sobre Didi e Maradona, constrastam com fatos dos dias atuais. Além disso, é uma obra que propõe uma reflexão sobre os nobres valores que o esporte traz consigo, como companheirismo, amizade e superação.Acima de tudo, Alicate Contra Diamante traça um paralelo notável entre o esporte e a vida, o passado e o presente, a paixão do torcedor e a razão do historiador.
* Livro disponível na Livraria Maneco - Caxias do Sul, em breve em outras Livrarias no Brasil - ou entre em contato p/ adquirir exemplar.

Os Artistas do Futebol Brasileiro (50 minibiografias) - Autor: Antonio Falcão - Parte 3

Página 10

Ademir Menezes do faro de gol
(1922-1996)

Enquanto Ademir Menezes, Mestre Ademir / é como um Gonçalves
Dias / no exílio da minha memória / fazendo gol que não tem fim.



Ao longo da história do Brasil, e entre os estados nordestinos, Pernambuco sempre teve destaque em economia, política e letras. Mas na arte de jogar futebol só a partir da metade dos anos 30 do século passado. E isso pelo seguinte: na recifense praia do Pina, Ademir Marques de Menezes era colegial de espinha no rosto, queixo avantajado, cabelo repartido ao meio e fama nas peladas à beira-mar. Desde a adolescência, ele dava arrancadas fulminantes para o gol e batia forte e certeiro com os dois pés. O bairro do Pina, onde Ademir nasceu em 8 de novembro de 1922, era reduto de pescadores, biscateiros, mascates, lúmpens e desalentados econômicos. Nele, viviam os pais do craque, Otília e Antônio Muriçoca – ela, do lar, e o marido vendia carros, além de dirigir amadoristicamente a divisão de remo do Sport Club do Recife. E a esta equipe da Ilha do Retiro o pai o levou para jogar futebol nas categorias de base.
No Sport, Ademir seria bicampeão juvenil em 38, atuando na meia-direita, posição apelidada de ponta-de-lança graças à fúria com que ele cavava o gol. Mas o jovem do Pina, que chutava sem tomar distância, não se afastara dos estudos, e por isso – provando que a esperteza brasileira vem de longe –, indevidamente, inscreveram-no como acadêmico de medicina nos jogos universitários. Na Ilha do Retiro, ele foi juvenil até 40, quando se profissionalizou. E, com a ida do técnico uruguaio Ricardo Diez para o Sport, Ademir agarrou-se à vaga com ímpeto, fez-se astro e campeão estadual invicto em 41. A seguir, consagrou-se excursionando com o time ao centro-sul do Brasil – vencendo onze dos 17 jogos contra mineiros, paulistas, paranaenses, barrigas-verdes, gaúchos e cariocas. Em março de 42, diante do Vasco, o filho de Antonio Muriçoca deu provas de que veio ao mundo para golear: fez três! E, no ato, o clube de São Januário comprou o seu passe – pagando-lhe, inclusive, luvas, soma contratual até ali inédita nas tenebrosas transações do futebol.
Nesse 1942, Ademir jogou em todas as posições do ataque vascaíno. A seguir, ganharia pelo escrete carioca o certame nacional de selecionados estaduais. Repetiu isso em 44 e virou herói no País – homenageando-o, por toda parte do território nacional as crianças recebiam o seu nome. Em 45, além de campeão invicto no estadual carioca pelo Vasco, na seleção brasileira – na qual estreou em 21 de janeiro, no sul-americano do Chile – ele compôs com Tesourinha, Zizinho, Leônidas da Silva e Heleno de Freitas o melhor ataque mundial do século 20. E se tornou em São Januário a estrela maior e mais luzente do “Expresso da Vitória” – como o Vasco foi batizado.
Só que, em 1946, o técnico frasista Gentil Cardoso o exigiu no Fluminense. E, endividado, o tricolor das Laranjeiras fez-se supercampeão, sendo Ademir e o seu conterrâneo Orlando Pingo-de-Ouro os ases desse estadual. O Vasco ficou na saudade até 48 e o readquiriu para ganhar o sul-americano de clubes. Com o Expresso da Vitória refeito, o time cruzmaltino chegou aos títulos de 1949, 50 e 52 – com Ademir sendo o artilheiro maior do Rio de Janeiro nos dois primeiros títulos. Nesse tempo, felizardo no Vasco e nas seleções, o recifense recebeu os passes precisos e as parcerias de craques como Jair, Danilo, Tesourinha, Heleno de Freitas, Ipojucan e Maneca.
Pari-passu, ele legou ao clube inúmeros torneios e aos cariocas duas taças do certame nacional de seleções. Ao Brasil, antes da Copa do Mundo, venceu o sul-americano de seleções de 49, afora as copas Roca, Rio Branco e Oswaldo Cruz – uma vez cada. Mas o Mundial de 1950, jogado no Brasil, que deveria ser a glória de Ademir, serviu-lhe de mágoa maior. Mas desse torneio incorporado à tristeza brasileira ele saiu como o artilheiro isolado com 9 tentos. E ainda eleito – na mídia e no coração da massa – como o melhor centroavante. Essa sua dor seria ampliada no ano seguinte, quando, contra o América recifense, teve a perna quebrada, o que o levou a uma convalescença. Contudo, voltaria à seleção brasileira para vencer o pan-americano de 52. E, no ano a seguir, o sul-americano disputado no Peru, onde ele se despedira do escrete nacional em 15 de março. Ao todo, pelo Brasil, esse memorável artista fez 36 gols em 41 partidas – destas, 30 vitórias, 5 empates e 6 derrotas.
Em 1954, devido às contusões, Ademir reduziu a velocidade e, aos poucos, foi perdendo a fome de gol. Não obstante, ainda o caçavam em campo, a ponto de ter a perna fraturada pela segunda vez. Uma de suas características era não reagir às agressões. Ele não revidava, embora que para tanto tivesse físico, 1,78 m de altura e muita coragem. A rigor, no fundo, por ser um cidadão talhado para o convívio humano dentro e fora do futebol, Ademir representou o fair play. E reservadamente dizia que, dos seus marcadores, só os flamenguistas Bria e Jadir foram leais.
Após o estadual de 1955, Menezes disse ao Vasco que ia parar – largo a bola antes que ela me deixe, pensou a frase que diria adiante. O clube, no entanto, pediu que adiasse a saída, mas amadoristicamente Ademir retornou ao Sport Club do Recife, onde iniciara a trajetória. Todavia, com alguns jogos no rubro-negro de Pernambuco, encerrou em definitivo a carreira gloriosa em 1956.
No Rio, ele seria cronista esportivo da Rádio Mauá e autor de coluna sobre futebol no jornal O Dia. Paralelamente, teve sinecura no Instituto Brasileiro do Café-IBC. E aproveitou os anos 50 para romper o primeiro casamento, que lhe dera uma filha. Talvez – sabe-se lá – ele assim agiu por concluir que era bem mais feliz nos braços da bola que na desventura conjugal. Acontece...
Mas do Vasco o ex-craque não se separou jamais. Em 1967, foi técnico cruzmaltino e se deu mal. Além de vascaíno, ele era solidário com os amigos. Tanto que quando, na miséria, Garrincha doou-se à bebida e Ademir quis interná-lo em uma clínica. Porém, Mané o agrediu a socos e pontapés. Mas o maior artilheiro do Vasco da Gama – sua média de gols (0,70) bate à de Roberto Dinamite (0,63) –, esquecendo esse ato de violência do alcoólatra Garrincha, ainda tentou ajudá-lo. Só que em vão.
No romantismo que permeia o futebol dessa época, com capital sensitiva na cidade do Rio de Janeiro, Ademir Marques de Menezes fez tudo. E ficou no afeto de Zizinho e no imaginário do Brasil. Todavia, para ele, o Mestre Ziza fora o craque do seu tempo. Tanto que, ao ouvir o escritor Ivan Soter contar que tremia ao vê-lo contra o Flamengo, disse humildemente: “Medo de mim? O bom era Zizinho, dele você deveria ter medo”. Mas esse temor fazia sentido: Ademir Queixada era o carrasco do Mengo, pois contra este adversário ele quase sempre balançava as redes.
Há várias histórias sobre a popularidade desse pernambucano. Uma delas está no livro Anatomia de uma Derrota, de Paulo Perdigão, dando que o laboratório Bayer fez uma pesquisa para saber quem seria o craque preferido dos brasileiros. Ademir teve “5.304.935 votos, quase um milhão e meio de votos a mais que o total obtido por Getúlio Vargas” – este, o Presidente da República, eleito em 1950, três meses depois do Brasil perder a Copa do Mundo no recém-inaugurado estádio municipal do Maracanã.
Finalmente, nos anos 80, aposentado do IBC e do jornalismo, Ademir Menezes curtiu com Wilma – dessa feita feliz – o seu outro casamento. Isso até a morte no Rio de Janeiro, em 11 de maio de 1996. E sobre ele, o cronista poético Armando Nogueira fez na imprensa esta confissão que dignifica o ex-craque, o futebol e a literatura: “Hoje – coisas do tempo – que o futebol na minha vida é mais saudade que esperança, mestre Ademir costuma aparecer no telão das minhas insônias mais artilheiro que nunca. E com que alegria revejo, agora, aqueles gols arrebatadores que ele fazia com a veemência de um predestinado! Gols que ontem sangravam e que hoje só enternecem o meu coração”.
Ao meu também, Poeta, ao meu também...

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